Por Mário Vinícius Carneiro Medeiros
Com tristeza, o Brasil recebeu a notícia que Chico Anysio deixou esta vida, após um longo período de enfermidade. A televisão brasileira perde, na opinião de muitos, o mestre do humor brasileiro.
Comecei a assistir aos quadros deste comediante no já hoje distante ano de 1973, quando aqui em Campina Grande começou a ser possível a captar o sinal da Rede Globo, gerado a partir do Recife, no canal 13. Ainda em preto-e-branco, às sextas-feiras era exibido o programa “Chico City”, com quadros simples. sem apelações e que divertia a todos.
O talento de Chico se manifestava através de diversos personagens, cada um mais variado que o outro. Dos anos 70, recordo de Valfrido Canavieira, o prefeito corrupto de Chico City, quadro este que foi retirado do ar por determinação da censura, uma vez que o governo militar afirmava não existir corrupção no Brasil... Ou, ainda, Pantaleão Pereira Peixoto, que contava histórias fantásticas, ocorridas no ano de 1927, sempre confirmadas por sua esposa, após o marido formular a pergunta: “É mentira, Terta ?”
Mas, o que leva o autor destas linhas a escrever sobre humor neste espaço destinado ao esporte? A resposta é simples: quem se der ao trabalho de pesquisar nos diálogos dos personagens interpretados por Chico Anysio, encontrará alusão ao Treze Futebol Clube !
Na fase em que estávamos preparando o “livro do Treze”, por diversas vezes enviei e-mail’s perguntando-lhe por qual motivo ele, sempre quando queria enfatizar algo referente ao futebol do Nordeste, citava sempre o Treze Futebol Clube. Infelizmente, o máximo que recebi de resposta, provavelmente redigida por um assessor, foi a de que “o seu e-mail foi repassado ao Chico e será respondido oportunamente”.
Trago, aqui, dois destes momentos. Recordo que certa vez, na “escolinha do Professor Raimundo” (ainda nos anos 70), o personagem principal formulou a pergunta quem fora considerado o melhor goleiro do mundo. O aluno, para bajular o professor, respondeu “Raimundo Nonato”. E o mestre, de imediato, replicou: “Não ! Goleiro bom foi Harry Carey, do Treze de Campina Grande.... Eu só pegava uma bolinha ou outra...”
Porém, a maior divulgação do nome do Treze por parte deste notável humorista foi no período de 1976 a 1977. O personagem “Meinha”, um jogador nordestino e que sonhava em jogar em um grande clube. Assim, era comum perguntar aos pais que com ele contracenavam: “Mãe, o Cosmos (time em que jogava Pelé) ligou ?” Diante da resposta negativa, completava: “E o Treze ?” E durante um bom tempo o quadro sempre encerrava com esta frase proferida pelo “Meinha”: “Tem nada não ! Deixa eu ser contratado pelo Treze ! ”
Aos mais novos, muitas vezes radicais e tão carentes do “queremos provas”, é preciso lembrar que estamos falando de quadros da década de 70, onde o vídeo-cassete não era ainda acessível ao público. Contudo, há o testemunho oral dos mais velhos, capazes de contar a história ou também, os jornais da época. Quem também se der ao trabalho de pesquisar nas páginas do saudoso Diário da Borborema, neste mesmo período, encontrará uma notícia interessante: uma pessoa que assistia ao “Chico City”, residente no (à época) Território de Rondônia, escrevera para o Estádio Presidente Vargas e solicitara uma camisa “do time em que Meinha tem vontade de jogar ! “ E um detalhe: a mesma nota informava que a camisa fora enviada ! Em plena década de 70, atravessando um período de dificuldades em termos de títulos, o quadro ajudou a difundir o nome do Galo da Borborema pelo Brasil !
Leitores, qual o outro clube da Paraíba (e do Nordeste, até) que recebeu tamanha atenção de um comediante que hoje deixou esta existência ? A resposta é esta: nenhum deles ! Assim, quero neste instante, na condição de pessoa que admira o seu trabalho e, modestamente, também procurou resgatar a história do alvinegro de Campina Grande, venho aqui dizer: obrigado, Chico Anysio ! Obrigado pelos momentos de alegria que nos deu e por ter imortalizado o Treze Futebol Clube em sua obra ! E que Deus, do outro lado da vida, o acolha em Sua glória !
Um grande beijo, eterno Professor Raimundo !
Obrigado, Chico Anysio!
Mário Vinícius Carneiro Medeiros


18:36
Alexandre Matheus
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